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O sujeito acorda às seis da manhã, se arruma, toma café e sai para um dia de trabalho normal. No caminho, ele pára numa banca de jornal e compra alguma coisa para ler o caminho. Essa “alguma coisa” é um jornal. Mais precisamente um jornal no formato tablóide.
Foram gastos exatamente 08 minutos e 35 segundos para ler toda a edição do dia onze de julho do Meia Hora. O filho da Organizações O Dia e irmão mais velho do Expresso _ da arqui-inimiga Globo _, trazia na capa quatro importantíssimas manchetes: “Viúvas de Pedro Dom em Guerra”, “Gata da Hora na Copa do Brasil”, “Polícia sacode baile funk no Cubango” e “Que m…, Zidane!”.
“Viúvas de Pedro Dom em Guerra”
Pra quem não sabe, Pedro Dom era um assaltante de apartamentos, filho da classe média alta que protagonizou um tentativa explosiva (perdoe-me o trocadilho) de fuga, que resultou na sua morte.
De volta à manchete, Adriana e Bibiana _ suas ex-namoradas _ estão presas e trocando farpas numa disputa pelo titulo de Viúva oficial.
“Gata da Hora na Copa do Brasil”
Todo dia, até a final da Copa do Brasil (Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!!), duas “belades: uma vascaína e uma flamenguista, mostrarão suas curvas para o leitor escolher aquela que sairá num poster no dia seguinte ao jogo final.
“Polícia sacode baile funk no Cubango”
A Polícia Militar resolveu fazer jus a seu salário exorbitante e invadiu a quadra da Unidos do Cubango após o baile funk. Foram encontrados os erros e crimes de sempre: música de apologia ao crime e às drogas; venda de entorpecentes; uso de roupas e armamento militar por “soldados do tráfico”, entre outros. O presidente da escola de samba é um tenente da Polícia Militar que não sabe de nada, não viu nada e nem sabe em que planeta está no momento.
“Que m…, Zidane!”
Esse titulo maravilhoso de alto teor estético abre a narrativa da conquista do tetracampeonato de futebol da Itália e a expulsão de Zinedine Zidane em sua última Copa do Mundo.
Dentro do jornal, correio sentimental, cartas, cura pelas ervas, anúncios de empréstimos a servidores públicos, o décimo nono canalha de Zé Mayer, classificados da Mãe Maria de Ogum e Aba Letícia “quase mulher” e outras coisas de importância social duvidosa.
Disponibilizar o maior número de informações á população, principalmente as camadas mais carentes financeira e culturalmente. Essa é a missão máxima dos jornais impressos. A máxima do Jornalismo. Principalmente se falarmos sobre Responsabilidade Social. É falar sobre Economia, Política, Saúde, Utilidade pública, Entreternimento, Cultura e “Futilidades”. É falar para a população sobre aquilo que é pertinente a ela de forma clara e prática, para que cada brasileiro se integre e interaja com a sociedade.
Qual é a dificuldade que os jornais encontram para falar sobre Economia num jornal popular até as tintas? Não consigo pensar em nenhuma. Interesse? Também nenhum.
Massificar significa idiotizar. Por isso a disputa pelo amor de um ladrão morto é infinitamente mais importante que o aumento da taxa de juros. Falar sobre coisas que levem o homem normal a pensar e se desenvolver como cidadão, questionando e cobrando não está em pauta nesse tipo de veículo de informação. Aliás, nem sobre o dia-a-dia, tendo em vista que a maior parte das manchetes não interessam ao um grupo majoritário de pessoas.
Fragmentar informações gera confusão e, como o volume de partículas é muito grande, nada é “importante” por muito tempo. Tudo é tratado superficialmente, de forma que o leitor não tem tempo nem encontra necessidade de procurar outra visão daqule fatou ou mais informações a respeito. Tudo se sobrepõe.
Uma empresa de comunicação que trata seus leitores como massa apolítica mecanizada presta não só um deserviço à sociedade. Ela presta um enorme favor ao coronéis da era dos bytes e chips.
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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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