LIBERDADE, essa palavra

O documentário, TCC de um aluno da UFMG, questiona a liberdade de imprensa em Minas. O vídeo repercutiu na net e ganhou até resposta na campanha para governador do estado.

O documentário “Liberdade, essa palavra” – nome tirado de um verso de Cecília Meireles – foi apresentado no final de junho, e ganhou nota 90. Mas a trajetória do vídeo ultrapassou os limites da universidade. O vídeo se tornou pauta dos jornais Folha de São Paulo, do site trama universitário e agora deste blog. E isso porque ele nunca tinha pego em uma câmera de vídeo. Ainda assim, seu documentário, trabalho de conclusão de curso da UFMG, conseguiu incomodar a campanha para governador de Minas.

Segundo Marcelo Baêta, recém-formado em jornalismo, autor do vídeo “Liberdade, essa palavra”, a idéia surgiu a partir de denúncias que circulavam na internet em meados de 2003, de que o governo de Minas teria provocado o afastamento de jornalistas que criticaram a gestão de Aécio. Foram demitidos um diretor da Globo Minas (Marcos Nascimento), um jornalista da Rádio Itatiaia (Paulo Sergio), o editor de esportes da TV Minas (Ulisses Magnus) e o editor de economia do jornal Estado de Minas (Ugo Braga).

No ano seguinte, em 2004, Jorge Kajuru teria sido demitido da Bandeirantes por uma crítica à uma reserva de ingressos do governo estadual para uma partida no Mineirão. As acusações não paravam por aí. O Sindicato dos Jornalistas denunciava o alinhamento editorial dos veículos mineiros à assessoria de comunicação do governo do Estado.

Também me 2004, o anúncio de “Déficit Zero” do governo de Aécio ganhou destaque na mídia – o ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, criticou a cobertura parcial dos veículos de imprensa ao anúncio do governo. E foi nesta ocasião que o estudante decidiu investigar as denúncias de que o governo Aécio Neves estaria cerceando a liberdade de imprensa em Minas Gerais. “Eu vi o Jornal Nacional em casa. Passou a matéria e, no intervalo, a propaganda do governo. As duas eram iguais. Foi nesse dia que eu resolvi investigar o tema”, conta Marcelo.

Inicialmente, o estudante pensou em fazer um livro-reportagem, já que tinha familiaridade com a escrita. No entanto, após pesquisar o tema, percebeu que tinha um vasto material audiovisual e que as entrevistas seriam mais verossímeis em vídeo. Com a idéia na cabeça e o acompanhamento dos monitores do laboratório da universidade, Marcelo foi atrás do primeiro entrevistado: Ugo Braga, em Brasília. As gravações foram até dezembro de 2005. No final, Marcelo já estava editando sozinho.

O documentário academico “Liberdade, essa palavra” – foi apresentado no final de junho, e ganhou nota 90. Em agosto, Marcelo criou um site para hospedar o documentário. Porém, cinco dias depois, o site do PT colocou um link para o vídeo, no You Tube. Marcelo diz que nem o PT nem a pessoa que colocou o vídeo no You Tube tinham o seu consentimento e que ele próprio não tem ligações partidárias.

“Liberdade, essa palavra” registrou, até a última terça-feira, 16 mil acessos no You Tube. A audiência repercutiu no PSDB. No dia 2 de setembro, a campanha eleitoral de Aécio – candidato à reeleição ao governo de Minas – colocou no mesmo site You Tube um vídeo em resposta ao documentário de Marcelo. Intitulado “Liberdade de imprensa em Minas”, o vídeo taxa o trabalho de Marcelo de “vídeo petista”, “vídeo do PT”, “manipulação” e “fraude”. “É um vídeo fraquinho, de audiência baixa. O que eu entendo é que é uma propaganda política, que tenta taxar o meu vídeo de propaganda. E ele não é”, responde Marcelo.

O estudante diz que respeitou a ética jornalística em todos os momentos e que, em todas as denúncias, ele ouviu o outro lado – de fato, em “Liberdade, essa palavra”, há as respostas dos veículos de comunicação e do governo mineiro. Apesar de inexperiência, o ex-estudante, agora jornalista, diz que já esperava a repercussão do vídeo – que ganhou destaque também na grande mídia. E diz para os estudantes ousarem e experimentarem mais nos seus trabalhos acadêmicos. “É a chance de fazer as coisas do seu jeito. Quando você for trabalhar, não vai poder fazer isso”, diz Marcelo.

Segue abaixo a reposta na íntegra enviada por Marcelo Baêta, enviado em 06/06/2006, quando fiz contato:

Oi Tatiana,
segue link da folha com matéria sobre o vídeo e respostas.
abs
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0509200628.htm

Resposta à matéria da Folha de São Paulo sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra”
No dia 5 de setembro de 2006, foi publicada nesta Folha matéria com o título “Vídeo na internet culpa governo Aécio por demissão de jornalistas”. Como diretor e produtor do vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra” tenho a declarar que o vídeo não atribui “culpa” a quem quer que seja por coisa alguma. Como informa a própria matéria, os jornalistas entrevistados “relacionam suas demissões com a veiculação de informações que teriam desagradado o governo”. Não há, em momento algum, qualquer posicionamento editorial no vídeo, que foi feito com respeito aos princípios jornalísticos. Por isso, o vídeo reproduz 13 respostas: entre elas, sete de veículos de comunicação e quatro do governo do Estado. As respostas totalizam três minutos e 16 segundos dos 21 minutos de duração do vídeo.
A matéria da Folha registra corretamente que o vídeo foi postado no site You Tube sem minha autorização e, acrescento, incompleto. Ainda assim, coloca o link para o vídeo no You Tube. Melhor teria feito se colocasse o link para meu site pessoal, no qual o vídeo encontra-se disponível na íntegra, com informações fidedignas sobre o mesmo, no endereço
www.amplifique.com.
Marcelo Baêta, jornalista

Resposta ao vídeo da “Campanha Aécio 45”
Nos dias 30 de agosto e 2 de setembro de 2006, releases publicados no site do PSDB qualificaram o vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra” de “falsificação”, “manipulação”, “fraude”, “colagem grosseira”, “vídeo do PT” e “vídeo petista”. Na qualidade de diretor e produtor do vídeo, afirmo que não tenho e nunca tive vinculação ou atuação político-partidária e reafirmo o caráter acadêmico e jornalístico do trabalho.
Os releases no site do PSDB anunciam um vídeo feito pela “Campanha Aécio 45″ em resposta ao vídeo “Liberdade, essa palavra”. Nesse vídeo, afirmam que não havia autorização para a exibição dos depoimentos, o que não é verdade. Todos os entrevistados autorizaram por escrito a veiculação de seus depoimentos.
O vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra” reproduz 13 respostas: entre elas, sete de veículos de comunicação e quatro do governo do Estado. As respostas totalizam três minutos e 16 segundos dos 21 minutos de duração do vídeo. O vídeo produzido pela “Campanha Aécio 45” trata basicamente de um assunto: (denegrir) o vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra”. Contudo, não procuraram quem o produziu e dirigiu para se posicionar, para responder, para se manifestar, em suma, não foi foi ouvido o outro lado.

Segue opinião do blog Conversa no Banheiro:

“Meu interesse a respeito do documentário do jornalista Marcelo Baêta começou quando receib um email do estudante Bruno Cesar, através da lista de discussão nacionalo dos estudantes de comunicação. Primeiramente, como a maioria assisti ao vídeo no You tube, pois era o link principal enviado. Após assistir ao documentário, percebi que o site me idrecionava ao outro vídeo intitulado ‘Pense Bem’.
Daí, resolvi postar o link dos vídeos no meu blog. A idéia inicial era realizar uma crôncia sobre a questão do simulacro, principalmente em tempos de internet onde vídeos, emails, etc., com conjecturas sobre conspirações chegam em nossas caixas postais todos os dias. Porém, sem sabe meio o porquê – a única explicação que tenho é a intiução – resolvi primeiro fazer contato com o estudante. Também me recordei que vários amigos mineiros já tinham mean rrado epsódios sobre a dificuldade de liberdade de imprensa.
O resultado da minha intuição é a matéria que fiz acima. Além disso, depois de tentar contato com a assessoria do governo de Minas Gerais e com o jornalista Marcelo Baêtae para escrever a matéria, cheguei a um só denominador comum para esta equação:
1- o vídeo Liberdade, essa palavra postado no You tube não é igual ao veiuclado pelo site do jornalista www.amplifique.com . O vídeo verdadeiro – um trabalho academico, destaco – não contextualiza nenhum tipo de opiniões partidarias.
2- O vídeo do governo de Minas é extrememante tendencioso e ainda, grande parte do vídeo tem apenas como base uma lista de argumentações.
3- Portanto, minha opinão é que em vesepeiro de “ditas abelhas”, marimbondo não entra de intrujão”

Assista aqui, na íntegra, “Liberdade, essa palavra”. Para assistir ao vídeo-resposta do PSDB, clique aqui. E chegue as suas conclusões.

Tatiana Lima

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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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