Muito obrigado

Oi sabia que eu estou velha?
Melhor ficando, né? É bom dá uma iludida se não esta alegria gostosa passa…
Já sei, acha que estou louca só porque tenho ainda 27 anos e digo que estou velha? Mas você também estaria com esta certeza caso se sentisse como uma senhora sentada na poltrona velha coçando o gato, à falar de histórias passadas, enquanto a visita toma um café comendo um pedaço de bolo de fubá ou caso vivesse tudo que vivi em apenas dois dias.
O papo pode parecer nostálgico só que caro amigo leitor, segundo os antigos, as aparências enganam. A realidade é que todos nós vivemos o quanto queremos viver. Assim como um livro nos transportar ao universo mágico de pessoas e lugares que nunca existiram ou conhecemos, nossa vida permite que façamos isso com seres concretos. Isto mesmo, gente de verdade que abraça, beija, cheira, pega, aí e como pega!
Gente que apenas precisa enlaçar você com o mais forte abraço para te fazer sentir gente de verdade ou não é? Não acredita? Então, se informe pois há quem pague até para ser abraçado e sentir tudo isto.
Em dois dias vi amigos que sempre estão comigo e outros que o tempo esvaiu da minha vida, não por falta de amor mais por ausência da merda do tempo. Pela vontade de largar o velho, conceituar a existência – que não deve ser pensada a ponto de ser paralizante – motivar a vinda do novo, a impaciência de viver do jovem, a necessidade do rótulo e sobretudo despedida imatura da importância da trilha que constituímos durante toda uma vida. Se você ainda não entendeu do que escrevo, explico com todas as letras disponíveis no teclado: me atrevo a rabiscar a homenagear nesta singela crônica o maior casamento velado da vida: a amizade. Pode ser da escola, do cursinho, no ônibus, no bar e porque não a que começou depois de um esbarrão e um filho da puta baixinho.
O fato é que quando ela é verdadeira independente da origem ou da forma ter amigos é bom para alma e corpo. Afinal, quem consegue permanecer estressado depois de receber uma abraço ou afago do cúmplice de tudo de bom ou ruim da vida. Pois é, a inspiração desta mal escritas linhas foi apenas a sensação de delicia que tive ao ser beijada por um Brigadeiro – que tinha esquecido se chamar Rafael – ser chamada de Cachinho, levantada por um Touro, ganhar um chocolante “Talento” – que surpreendentemente o amigo lembrou ser o seu preferido -, ver o ex-jogador de volei da escola trazer “Tequila” especialmente para você mesmo sem saber com certeza se estaria lá, receber uma interrupção com o pedido de deculpa mais doce só para receber um beijo e um pedido de foto, o inspetor do colégio, logo do cara que você azucrinava no colégio porque tinha a função de vigia a porta quando você mais queria fumar – sim já fumava -, dançar até a noite começar com o professor amigo e ainda achar a velha pixação debaixo da escada do colégio para depois ouvir da diretora que ela não deixa ninguém tirar.
Enfim, tudo isso pode parecer muito nostálgico a você leitor, mas me diga não são estas pequenas coisas que contaremos ao nossos filhos, as anedotas que narramos aos amigos do trabalho e que portanto, é o que no final das contas, nos dá a sensação que deixamos uma marca na vida de alguém, e que logo existimos?
Melhor ainda, quando a nostalgia tem gosto de nova, recente e se percebe que a consciêcia do valor da vida veio tão cedo seja pelo reencontro do amigo ou pelo gracejo da amiga que hoje, pertinentemente é sua cúmplice. É nesta hora que você se vê como a velha sentada no sofá furado, com um sorriso largo e feliz de orelha a orelha pensando ao dizer para o gato deitado no seu colo: sabia que sou muito rica?

Meios sinceros agradecimentos…

“Mulher, você vai gostar, Tô levando uns amigos para conversar, Eles vão com uma fome que nem me contém, Eles vão com uma sede de anteontem. Saca a cerveja estúpidamente gelada para um batalhão, E vamos botar água no feijão”,
Chico Buarque de Hollanda

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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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