$Pobre cultura$Cultura pobre$

Acordei essa manhã com vontade de ir ao teatro. Deve ter uns quatro filmes que quero assistir no cinema. Mas resolvi que este domingo, a “boa” – a minha boa – seria ir ao teatro. Só faltava escolher a peça.
Abri o Segundo Caderno de O Globo e tomando café de gole em gole, fui baixando os olhos e lendo as sinopses. Não precisei chegar até ao terceiro tijolinho de anúncios. Minha peça estava escolhida.
A tardinha ia assistir O Diário de Anne Frank, no Maison Francês, no centro do Rio. Interrompi o café, bufei e desisti. Anne Frank custava R$60. Fui descendo os olhos, lendo tijolinho por tijolinho, quem sabe não tinha outra peça interessante mais acessível? 
Terminei o café com um mau humor terrivel e uma irritação, que me acompanha até agora. Não existia absolutamente nenhuma peça que custasse menos de R$60.
Sei que teatro é diferente de cinema, sei que os atores tem que pagar as suas contas, sei que tem custo de produção e sei também que no Brasil existe um coisa chamada carteira estudantil, e sei que a existência deste documento faz muito podutor achar caro o custo de uma montagem, sei que tem inclusive falsificação deste documento, sei de tudo isso. Porém, é inaceitavel uma peça cu$tar R$60. Como num país que o salário mínimo é R$480, o acesso a cultura custa 1/4 do valor do salário mínimo de um trabalhor?
Sou universitária. Pagaria a metade do valor. Mas R$30 ainda é um valor relativamente caro. Além do mais, não iria ao teatro sozinha. A ideia era desfrutar da cartase proporcionada pela arte dramatica em companhia do meu namorado, que não é UNIVERSITÁRIO. Só de ingressos gastaríamos R$90. Se eu contar a passagem, o nosso acesso a cultura numa noite de domingo sairia pela bagatela de R$100. Sem direito a balinha, café, água ou imprevistos.
Pois é, agora, acabei de lembrar porque faz tanto tempo que não vou ao teatro. Não tenho dinheiro para ir. Sou universitária, mas sou pobre. E teatro não é cultura para pobre. Teatro é cultura para poucos, teatro é cultura de e para a elite. SOMENTE!
De tempos em tempos, um programinha assistencialista é lançado para que o governo possa mostrar a preocupação com o excluídos, ao acesso a cultura, a promoção da arte…Mas eles duram um dia ou no máximo um mês.
Bom, enquanto o programinha a$$i$tenciali$ta de 2010, não chega; vou recolher minha insignificância, alterar minha vontade, melhor, aprender a não ter vontade e torcer para passar no mestrado ano que vem. Porque se sendo universitária e pagando meia está dificil, imagina se em 2011 eu não for?
Fudeu!
Bom, o programa de domingo acabou por ia. Não, mentira. Continuei
lendo o jornal. Custou R$4, o preço do jornal O Globo
E a noite quando meu mau humor melhorou, fiz o calculo final do meu programão de domingo.

Sim, porque se o Diário de Anne Frank não é acessível no teatro, nas páginas do livro – escrito em 1947 – a história desta garotinha segue sendo acessível a todos, e somente por R$15,90 nas principais livrarias ou a R$5. Este foi o preço que paguei pelo meu no sebo.

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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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Uma resposta para $Pobre cultura$Cultura pobre$

  1. Claudia disse:

    Achei muito bom!!!!!!!!bjs

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