A queda do Muro de Berlim e a construção de sonhos

Os acontecimentos no mundo e sua vida têm em comum, afinal?

A principio nada. Mas para muitas pessoas que habitam essa terra louca de “Deus ou do Diabo”, fatos e vida estão intrinsecamente conectados. Não me refiro aos fatos da sua vida e tão pouco as suas atribuições. Mas as suas, as minhas e as nossas escolhas.

Foi em 3 de outubro de 1989 que uma menina de 10 anos, assistindo televisão na sala de uma quitinete, em São Cristóvão, resolveu ser jornalista. Era noite, o repórter Ciro Bocanera, à época, anunciava a queda do Muro de Berlim, atrás de diversas pessoas que quebravam o muro e se abraçavam. Fiquei petrificada. Lembro até hoje da sensação de alguém me olhando também. Eu só dizia: – Mãe o tal Muro de Berlim caiu. E depois: – Mãe eu quero ser jornalista.

Minha mãe só perguntou por quê? E eu só respondi que o meu livro de história e de geografia ia mudar. Que eu não entendia ainda bem o porquê, mas sabia que isso tinha sido um dos acontecimentos mais importantes do mundo e que eu, queria estar lá. “Para fazer parte da notícia filha?”. Não mãeeeeeeeeeee. Para estar lá na hora que acontecer!

Das leituras do quadrinho do Henfil, no Segundo Caderno de O Globo, a narração desse dia e a faculdade de jornalismo, muitos anos se passaram e muitos anos eu ganhei. Mas a certeza de que a minha vocação era o jornalismo nunca mudou.

Ao todo, foram seis anos entre vestibulares fracassados, uma tentativa de iniciar os estudos, a falta de dinheiro pagar concretizá-los até a conquista de uma bolsa de estudos. Mais três anos até concluir a faculdade entre diversos obstáculos como não ter computador em casa, só um exemplo. Mas no dia 10 de dezembro, enfim, me formei.  Nada de mais. diversas pessoas se formam todo dia.

Só conto toda essa história, porque acho impressionante que um fato  possa mudar toda a vida de uma pessoa. Fico imaginando como outras pessoas devem ter escolhido suas profissões e como outros acontecimentos em torno da realidade do mundo, podem ter trazido certezas ou incertezas alterando a verdade e decisões de outras pessoas em diferentes áreas de suas vidas.

Ou o quanto a notícia da queda do Muro de Berlim, que dividia um país em Alemanha Comunista e a Alemanha Capitalista pode ter modificado e representado um marco na trajetoria de outras pessoas.  Talvez, até hoje aidna traga consequências na história de muitas famílias par ao bem e para o mal.

Essa seria uma boa ideia para um filme, talvez fictício, talvez documentário. Mas como todas as boas ideias alguém já deve tê-la tido e executado. Prova é que um dos meus filmes prediletos – por que será? – se chama “Adeus, Lênin”. Conta a história de um filho contrário as posições políticas da Alemanha Oriental, mas que tem uma mãe do partido comunista. Ela tem um derrame ao vê-lo participando de uma manifestação e quando acorda a Alemanha já está unificada. Com medo do trauma que isso pode causar  na mãe, o filho tenta a todo custo corromper a  visão da nova Alemanha que surge na visão da janela do hospital.  Não sei se o filme foi baseado em fatos ou é ficcional, mas toda ficção tem um “quê” de realidade.

Imagens: reprodução da internet

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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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