Filme Bruna Surfistinha: Cotação quatro estrelas!

Foi à vontade de restabelecer a bateria corporal – pós uma puta ressaca – que me fez parar em pleno carnaval numa sala de cinema para assistir ao grande lançamento nacional “Bruna Surfistinha”. Filme que conta a história de uma das garotas de programa mais conhecidas do ciberespaço. A mesma que fez fama, glória, dinheiro, mitos, blog, livro – traduzido para 15 idiomas – e virou personagem de filme.

Li diversas críticas sobre “Bruna Surfistinha”. Todas positivas, mas sem elogios excedentes. E essa é a minha crítica. Mais uma que talvez não traga nada de novo. Mas é meu registro sincero. Fui ao cinema esperando um bom filme, mas só. Sai de lá com a certeza que fiz um programão.

Fiquei deslumbrada com uma Débora Secco excelente na pele de Raquel vivendo “a real” cinemática de uma prostituta, que revelou um terço do mundo dela. Porém, é essencial que se diga: o filme é bom sem dúvidas, mas não é grandioso. Agora entendo as críticas positivas, mas sem elogios rasgados. Condiz com “a real”. O filme tem pegada e prende você na cadeira ora por curiosidade, ora por diversão e ora por vontade de olhar. É o nosso voyeurismo de cada dia.

Além do mais, é necessário dar crédito a quem merece. Débora Secco acertou o tom. E que acerto! Tornou “Bruna Surfistinha” imaginada por muitos: verossímil. Tanto a versão Raquel de Bruna quanto a versão Bruna de Raquel preenchem toda a telona. Não sobra um misero espaço. Principalmente o olhar e a voz de Débora, seca como a alma de alguém que se define como morta no primeiro programa.

Mas sejamos justos e vamos dividir os créditos. O diretor Marcus Baldini também acertou o tom. Não há sexo explícito no filme como bem disse uma das críticas que li, mas a película está longe de ser um filminho família. Há muita pele, caras, voz, posições e intenções passadas na tela. O que faz definitivamente o filme censurado minimamente a menores de 16 anos.

“A real” é que a narrativa de “Bruna Surfistinha” mostra a verdade escolhida para ser contada de uma prostituta, que se tornou uma profissional do sexo tendo como batismo o sexo anal, logo esse, tão mitificado e mal falado – ponto de discussão de qualquer debate seja entre homens ou mulheres para ditos descolados ou puritanos e de tantos outros pseudos…

Contudo, o que torna “Bruna Surfistinha”, um verdadeiro doce de veneno, é a narrativa da garota e mulher que se via como uma merda. Essa é “a real” do filme.

É a baixa autoestima de Raquel, mesmo quando já era Bruna (famosa), que leva o espectador a querer saber mais sobre a vida da garota de programa. Detalhe: sem glorificar a escolha de Raquel e sem condenar a “a real” de Surfistinha. Não há apologia a prática da prostituição. Não existe um julgamento de valor do cotidiano da prostituta. Todas essas sensações e pensamentos é missão nossa. Cotação excelente .

Conversa no Banheiro recomenda “Bruna Surfistinha” também porque o filme vai proporcionar as você uma saidinha do cinema cheia de muitas vontades: de conversar sobre sexo, de pensar sobre incertezas ditas certas, sobre o tratamento dado por pais, irmãos, primos, namorados, ex-namorados (por que não?) e até mulheres as suas mulheres. Enfim, sobre nossas posturas com o outro com ou sem roupa.

E ainda, especialmente, porque sairmos do cinema com vontade de olhar diferente para a vida, além de claro, uma puta vontade de fumar, beber e …   (é exatamente isso) – coisa que a atriz Débora Secco na alma de “Bruna” faz o filme inteiro.

P.S: Na carona do filme, Raquel Pacheco voltou a “blogar”. Está com dois espaços: o “Não não para“, hospedado no portal uol e o outro pessoal intulado Rac Pac. Por lá, temos a informação que Raquel agitará a noite na pele de DJ e que lançou a loja virtual Bolsa Erotica, que vende produtos eroticos e workshop com Raquel e outras colunistas femininas do portal Não Não Para. O próximo tem data marcada para dia 20 de março.

P.S 2: Pesquisando sobre o filme encontrei um blog bem interessante chamado Vigilantes da Autoestima. Tem um crítica também interessante sobre o que o filme traz à tona. A questão sexual da mulher que é reprimida a longos de décadas e a faz ter um baixa estima preocupante.

Texto: Tatiana Lima
Foto de mulher fumando: arquivo pessoal 1999
Imagens: extraídas da internet
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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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4 respostas para Filme Bruna Surfistinha: Cotação quatro estrelas!

  1. Bianca Lessa disse:

    Gata, concordo plenamente com a sua crítica!
    O fime é realmente isso… perfeito!
    Beijos Bia.

  2. Marília Gonçalves disse:

    Oi, Tati. Não vi o filme ainda. Tenho lido críticas por curiosidade e por isso vim ler a sua. Obviamente, como não assisti, não tenho como concordar ou discordar, mas confesso que fiquei já bastante preconceituosa com algumas críticas que li. Uma delas dizia que o filme era bom porque mostra a mulher que se assume, que assume seus desejos sem moralismo bla bla. Parece que tem gente achando a prostituição o auge do feminismo – fiquei confusa. Bom, foi o que você disse: todas essas sensações e pensamentos ficam por nossa conta. Vou tomar mais cuidado com as críticas.

    • Olha Marilia,

      Não li nada parecido com o que você descreveu, mas entendo o por quê disto. Talvez seja porque no filme parece que a personagem apesar dos pesares ou de qualquer coisa gosta de fazer sexo, nunca viu sua profissão como algo errado, o que não quer dizer que na “real” seja a verdade de Raquel ou também pode até ser de fato, enfim, temos que lembrar sempre que é um filme baseado em fatos, ams que forma midiatizado e por si só já ganham outras proporções. Mas acho que essa postura qeu você relatou se deve ao fato da baixa auto estima que te falei que serve de fio condutor do filme. Pode ser uma explicação, não sei. De fato foi como eu escrevi e vc resslaltou “essas sensações ficam por conta da gente” So defendo o filme sob um aspecto: não glorifica a prostituição, mas tb não condena, é bom dizer e reafirmar. (Acho qeu foi por isso que gostei tanto). o que não quer dizer que seja neutro. Você pode tomar “partido” sem necessariamente ser panfletario. Eu pessolamente acho que o roteirista e diretor optaram por tomar o partido do público e deixar como disse a bola quicando no cinema…

      Não vou debater (o que adoraria rs) contigo porque acabaria revelando alguma coisa do filme (já falei até demais rs) e acho que isso pode acaber influenciando você, como na verdade todas essas criticas que vc leu, inclusive a minha, também podem influenciá-la.

      Mas vai a dica: vá ver o filme de forma tranquila. Sem acha que tem que condordar comigo ou com outras pessoas, Se permita. Se jogue no filme para duvidar, viver junto, aprender, se informar, discordarrrrr claro, mas tenta (sei que é dificil) não ir com uma cabeça feita não…

      Minha critica foi mais porque de fato me surprendi. Fui ver por curiosidade midiatica confesso (rsrsrsrs) além de total falta do que fazer no carnaval (passei muito mal colicas e tal so sai um dia) e porque o tema da prostituição é recorrente na minha vida (depois vc vai entender isso melhor quando eu republicar um post antigo e escrever outra nota que estou preparando). Então, não tinha como deixar de ver. Mas fui esperando o que eu falei “apenas um filme bom”…e voltei com uma baita vontade de escrever sobre…o que por si só (para mim) torna o filme bom…Quantos filme a gente ver e tem vontade de escrever sobre?

  3. Marinha Luiza disse:

    Gostei do filme mas em uma coisa nós discordamos: Débora Secco não me convenceu no papel.

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