Ocupação Policial da Rocinha. Veja a cobertura em novo ângulo

Estamos acompanhando repórteres da mídia alternativa, com destaque para a jornalista Tatiana Lima (@Tatiana_Lima), William da Rocinha (@williamrocinha), Robson Melo (@robsonmelo10), a TV Tagarela (tevê comunitária da Rocinha), o Favela da Rocinha (@FavelaDaRocinha), projeto local de estudantes de jornalismo, entre outros. Todos baseados na Rocinha.

* * *

Ocupação da Rocinha fecha cordão de segurança da Zona Sul para grandes jogos, mas e a raiz do problema?

Ocupação da Rocinha e mais duas comunidades não ataca raiz do problema.Por Cecília Olliveira

“(…) Ao contrário do que foi feito em outubro no Complexo do Alemão, na Rocinha a estratégia acerca da ação foi traçada depois que a Marinha mapeou, por meio de imagens feitas de um helicóptero, toda a comunidade, bem como o levantamento de informações e monitoramento pela polícia federal. O planejamento é um grande diferencial, essencial para o sucesso de qualquer ação.por meio de imagens feitas de um helicóptero, toda a comunidade, bem como o levantamento de informações e monitoramento pela polícia federal. O planejamento é um grande diferencial, essencial para o sucesso de qualquer ação.

Vale lembrar, porém, que assim como ocorreu com o Complexo do Alemão, nada disso é novidade. Há 23 anos a Rocinha foi ocupada e chegou a abrigar um posto do NUCOE (Núcleo da Companhia de Operações Especiais), similar hoje ao Bope. O que aconteceu depois? O tráfico voltou, assim como voltou depois da mega operação de 1994/95. Bope também já havia hasteado bandeira no alto do Alemão, em 2007. O remake pode ser eterno enquanto não se mexer no cerne da questão: a estrutura social, a polícia e a política, que de mãos dadas, dão no que dão.

Assim, vão por água abaixo as mirabolantes previsões de reconfiguração do crime organizado, enfraquecimento de facções, golpes na estrutura do crime e refundação do Rio de Janeiro. Não existe “fato histórico” na ocupação da Rocinha, como Sérgio Cabral twittou em seu perfil oficial. “Fato histórico” será quando traficantes não atuarem ao lado da polícia e sem o aval político. Há de se lembrar que a linha de sucessão de Nem, por exemplo, parece pronta, já que ainda não há sinais de Leão, Pateta e outros. A PF investiga a presença de um delegado da Polícia Civil na hora da prisão de Nem. Ele tentou tumultuar. Apareceu na Lagoa na hora da prisão e queria assumir ocorrência. Problemas velhos tratados como notícias novas. O buraco é mais embaixo. Bem mais embaixo.”

Leia na íntegra clicando aqui.

* * *

Ocupação da Rocinha – Imprensa Rocinha

Veja o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=j6A5uX5cpEM

* * *
Do Extra: “A Secretaria de Segurança do Rio acaba de divulgar o balanço do primeiro dia de ocupação da polícia na Rocinha. Até 18h deste domingo, a Polícia Militar e a Polícia Civil prenderam quatro pessoas e apreenderam 20 pistolas, 15 fuzis, uma submetralhadora, duas espingardas, 20 rojões e três granadas, além de munições diversas.”

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/rocinha-balanco-da-ocupacao-3233198.html#ixzz1dd0f4Hzq

* * *
Registro histórico. Em 1987, Rocinha desce para o asfalto e causa tumulto em São Conrado.

À época, poderia parecer estranho que o chefe do tráfico, Denis, fosse considerado “protetor” dos moradores. A polícia, muito mais do que hoje, era inimiga da favela. Hoje existe uma disputa intensa dentro da corporação: corruptos versus funcionários verdadeiramente públicos.

Em 1987 Rocinha desce para o asfalto e causa tumulto em São Conrado.

Veja: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=8okKtKxfNSA

* * *

A repórter Cecília Olliveira fez o registro: Bope encontra mais de 10 munições no alto do Laboriu, no alto da mata, na Rocinha.

A pergunta que a imprensa não faz: quantas das armas e munições que serão apreendidas são da própria polícia ou do Exército? Aí fica fácil fazer espetáculo: a PM vende, desvia, e depois prende dizendo que está tirando do tráfico….

* * *
Exército de Defensores chega à Rocinha para atender a população (via @williamrocinha):

* * *
O presidente da União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha (UPMMR), Leonardo Rodrigues, disse hoje (13) esperar que, com a ocupação para a implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o poder público olhe para outras necessidades da comunidade, como educação, saúde e saneamento básico.

* * *
Panfleto distribuído pelas polícia por helicópteros:

* * *
Do @faveladarocinha, hoje (13) pela manhã: “Alguns moradores já aparentam impaciência com rasantes do helicóptero blindado da Polícia Militar.”

Imagens de vídeo da Ocupação TV Tagarela:

* * *

A cadeia de corrupção que mantem o tráfico

De um delegado titular do Rio de Janeiro, cujo nome preservamos:

“Não se enganem: O tráfico nos moldes do Rio de Janeiro só é possível existir com corrupção. Maus policiais se tornam verdadeiros controladores das gangs.

Policiais corruptos são designados para comandar/chefiar Batalhões e Delegacias estratégicas para arrecadar para suas Chefias superiores. Os comandos das Polícias, por sua vez, repassam boa parte do dinheiro arrecadado para os políticos que estão no poder e os sustentam na chefia.

Essa cadeia de corrupção foi quebrada hoje no Rio de Janeiro, com a repressão ao tráfico de drogas a partir do modelo das UPPs. Os policiais corruptos perdem cada vez mais espaço com a obstinação do governo em se combater o tráfico. Mas o tráfico é apenas uma das diversas fontes de corrupção. É preciso a mesma disposição do governo para com o jogo do bicho, a contravenção.

Colocar a culpa no usuário pela existência do trafico nos moldes do Rio de Janeiro é, na verdade, a grande desculpa do sistema corrupto deste país. Vocês estão vendo aí que se o Estado quisesse acabar com as gangs de traficantes lá atrás já teria acabado…

Porque são meras gangs! Jamais foram quadrilhas, muito menos organizadas. Policiais corruptos, esses sim, são quadrilheiros e organizados. Os traficantes não passam de negros, pobres e favelados que fazem o trabalho sujo para as quadrilhas de policiais corruptos.

Não há uma partida de drogas ou armas que cheguem ao Rio sem que haja a cobertura de um esquema de policiais corruptos por trás.

O que me deixa triste é que a solução para o tráfico está longe de passar por esse processo de ocupação policial-militar das favelas. Porque ainda estamos longe de livrarmos a Polícia da corrupção, pois esta só acabará com a limpeza dos nossos quadros políticos.

Em suma: existe usuário porque existe traficante, que é “subordinado” ao policial corrupto, mantido no poder pelo político corrupto. Hastear bandeiras como símbolo de retomada do território soa como um tapa na cara da cidadania, pois prova a existência da cidade partida.”

* * *

A abordagem do Bope

Enviado por joycsantos em 13/11/2011

O Bope repreende o registro da rua onde eu moro. A PM, a Civil e a Federal não questionaram em momento nenhum uma cidadã que registrava uma operação do Estado e seus servidores, ou seja servidores da população, mas os “caveira” usaram o método característico da gentileza.

Conhecidos da equipe da GloboNews e G1 me blindaram, mas se não estivessem lá ou eu teria ido pra delegacia, e iria tranquilamente, ou eles iriam apagar o vídeo na força, já que até me xingaram como “porra nenhuma” um dos “servidores”. Nenhum deles estava com identificação na farda, espero que ao entrarem na casa dos moradores da Rocinha haja identificação, isso é o mínimo.

* * *

Questão de prioridades…

[13/11 – 17h15]

A área da UPP da Rocinha, afirmam as autoridades, tem cerca de 70 mil pessoas. Para todas estas pessoas, 3 creches e 3 escolas municipais. E a culpa por este descaso, afirmam, é que eles não detinham o “território”, que agora “recuperaram”.

Ã-hã, Claudia…

Já fui à Rocinha uma dezena de vezes, as últimas para ações de cultura digital, outras com turistas amigos. Muita arma à vista, pontos de venda de drogas, mas nenhum impedimento a qualquer pessoa que quisesse fazer ações sociais – incluindo o Estado. Sabíamos que seríamos respeitados, avisados pelos próprios moradores.

Agora sabemos qual o roteiro: Rocinha abandonada pela grande mídia e pelas autoridades em 3… 2… 1…

(Por HQ)

* * *
[13/11 – 17h15] Um Major da Polícia Militar que não indentificaremos por motivos óbvios ironizou o chamado da Secretaria de Segurança (@SegurancaRJ) para que acessem uma foto sobre “como foi o hasteamento das bandeiras do Brasil e do Estado do Rio na Rocinha”.

Diz ele: “Invadimos outro país??? Perfeito. Rocinha ocupada. Agora quando irão começar a mudar a realidade social dos moradores da 1ª UPP e a realidade social dos policiais?? Deixa pra lá!! Ocupação militar por si só resolve todos os problemas. Não é mesmo, Iraque?”

* * *
[13/11 – 17h02] Um jornalista faz o importante registro de como funciona a cobertura da grande mídia, principalmente televisiva:

“Foi extremamente constrangedor e revoltante ver o trabalho da repórter da TV Globo ontem na entrada da Via Ápia. Ela se aproximava dos moradores que estavam passando, câmera ligada, microfone esticado, perguntando abruptamente, sem conversar nem se identificar: “A senhora está com medo?…”, “O senhor está com medo?…” … Muito bizarro. A maioria passava reto, sem querer dar declarações.”

* * *
[13/11 – 16h45] Jorge Antônio Barros, jornalista veterano: “Em 88 escapei de morrer nas mãos do tráfico na Rocinha. Percorri hoje alguns daqueles lugares onde o filho chorava e a mãe não via. Estou me sentindo leve, com a sensação de ter enterrado um fantasma na curva do S.”

Com a falta de coleta de lixo nos últimos dias, Barros registra cena no Laboriaux, na Rocinha:

Do EXTRA: “Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) encontraram 60 bolas de pasta de cocaína. Parte do material estava dentro de uma mala de aproximadamente um metro e meio. (…) Mais cedo, os policiais encontraram, pelo menos, dez codificadores de TV a cabo. Armas e munição continuam chegando no QG. A Polícia Militar vai divulgar, no final deste domingo, um balanço com as apreensões.”

* * *

“Acompanhe todos os lances” e a “necessidade” da polícia

[13/11 – 7h19] É preciso ter alguém em casa, perguntam para Rodrigo Pimentel? “Sim, para que não haja a necessidade de o policial ter que arrombar a sua casa”. Heim? Necessidade? Como é que é?

“Também não entendi”, afirmou Robson Melo. Tatiana Lima ironiza o “perigo” do óleo jogado pelos traficantes nas ruas. “Eu nunca vi um óleo tão valorizado na minha vida.”

Depois, a gafe mais inacreditável veio da apresentadora do RJTV, na TV Globo: “Você do Rio de Janeiro continua acompanhando a ocupação da Rocinha, todos os lances!”

* * *
[13/11 – 6h22] O comandante do BOPE, René Alonso, teria anunciado que a favela da Rocinha já foi “completamente tomada pelas forças policiais”, diz a TV Globo, apressada. O jornal O GLOBO afirmou, depois do estardalhaço na TV, no mesmo horário [6h22]: “A assessoria de imprensa do BOPE não confirma a informação de que a favela da Rocinha já estaria tomada pelos policiais”. (?)

Segundo os nossos repórteres independentes, os policiais já entram nas casas. Este é o momento mais tenso, na verdade, para os moradores: poderão ser roubados e extorquidos por policiais corruptos.

Tatiana Lima: Uma moradora acaba de relatar [6h23] que entraram na casa dela. “Só bateram forte na porta, perguntaram quem morava lá, mas não revistaram a casa”.

William da Rocinha: No Vidigal a polícia chegou na Vila Olímpica; várias motos apreendidas pelo BOPE.

Leia texto de Tatiana Lima: A madrugada sem guerra da Rocinha

* * *
Tatiana Lima: “Polícia Federal revista moradores na Rocinha. Alguns não reclamam, outros se sentem constrangidos, especialmente pelo frisson da imprensa.”

* * *
Luiz Eduardo Soares agora há pouco [5h41] via twitter:

“Não haverá confronto na Rocinha. Aparato de guerra é absurdo. Efeito especial para show midiático-político. Soldados escorregarão no óleo e só. Preparem-se para imagens de guerra sem guerra. Depois de sustentar por décadas o tráfico na Rocinha, as polícias rompem a sociedade e dão show. Showtime. As únicas escaramuças ficarão por conta da cenografia de destroços e ruínas que são os rastros de uma história hipócrita. Quem faria o tal confronto já saiu há muito tempo. Quem armou a câmera para flagrar o sangue pode tirar o cavalo do relento. Itararé o frustrará.”

Mais cedo, muito antes da ocupação, por volta das 23h, Luiz Eduardo Soares escreveu:

“Patética a cobertura da operação na Rocinha como se fosse guerra. É óbvio que não haverá confronto. O medo da classe média virou moeda política. Porque blindados da Marinha? Vai se prender um ou outro suspeito e exibir dinheiro, droga e pseudo-luxo de Ném&Cia. Mais uma batalha de Itararé.

Essa ridícula espetacularização acende o medo da classe média, aumenta audiência, garante votos e desloca o foco da aliança policiais-crime. Ruas vazias; cinemas e restaurantes em São Conrado fechados. O medo está no ar. A noite pulsa em suspense. Mas não há guerra. Há mídia e política.

Imagens da Rocinha encherão de júbilo pratos do almoço dominical. “Vitória do Bem” serão palavras de ordem, embora Ném fosse sócio de policiais.

Moro em São Conrado. Circulei pelo bairro deserto. Clima é de suspense. Será que alguém acha mesmo que haverá confronto? Aparato bélico+mídia=medo&voto.”

* * *
Batalhão responsável pela Rocinha tem histórico de suspeita de corrupção
‘Metade do faturamento iria para policiais corruptos’, diz Nem

* * *
Algumas carcaças de motos pelo caminho, via TV Tagarela.

* * *

“Por favor, não matem as pessoas”

13/11 – 05h30

Tatiana Lima: As casas na Rocinha estão com janelas fechadas e até as cortinas cerradas. Todos entocados em casa. No caminho, um mulher segurou no braço do jornalista Robson Melo (@robsonmelob10) e disse: “Por favor, não matem as pessoas. Sob o céu de chumbo, os faróis metálicos da guerra e o sinistro soundtrack de blindados e helicópteros encenam a farsa da Itararé pós-moderna.”

Do próprio Robson: “Triste o momento que uma mulher segura meu braço e, chorando, pede para que ninguém precise morrer. Também quero isso, respondi a ela.”

* * *
William da Rocinha (@williamrocinha), na foto: “Neste momento acompanhando tudo da entrada da via Apia já já, partindo para dentro da Rocinha com mais informações.”

* * *
Na foto abaixo, Sergio Cabral e José Mariano Beltrame enviam professores para a favela. #not

Legenda oficial: Blindados da Marinha e do Batalhão de Choque iniciaram às 4h09 a ocupação da Rocinha. Foto: Cléber Júnior/Agência O Globo.

Tatiana Lima informa: “Agentes da força de ocupação já batem em algumas portas na subida do Laboriaux. Lá, os tanques já estao atropelando tudo o que encontraram pela frente. Como as ruas são estreitas, devem ter muitos carros já retorcidos.”

* * *
Foto de Gustavo Goulart no jornal O GLOBO.

Dentro deste tanque (também conhecido como Poder Público da Favela), existem:

( ) Professores
( ) Médicos
( ) Arquitetos e engenheiros
( ) Forças repressoras

* * *

“Marinha quebrando tudo o que veem”

William da Rocinha, citando fonte: “Blindados da Marinha quebrando tudo que veem pela frente aqui no Laboriaux”. Este é um sub-bairro na parte alta da Rocinha.

* * *
Robson Melo: “Nenhum morador na rua, apenas policiais, fotógrafos e jornalistas. Muita correria nesse começo de operação.”

Tatiana Lima: “Silêncio absoluto na Rocinha. Dá até para ouvir grilos e passáros. É assustador. A única lembrança que nunca tive da Rocinha foi o silêncio.” [05h05]

* * *
Tatiana Lima [13/11 – 04h45]: “Nesse momento os soldados do Bope avançam e já estão no caminho do boiadeiro, indo em direção à estrada da Gávea.

Os veículos blindados da Marinha estão neste momento entrando na Rocinha pela Estrada da Gávea, seguidos de policiais do Bope e de Policiais Civis. Na Via Apia, um outro grupo de policiais militares também começou uma incursão pela favela. Ainda não há sinais de resistência dos traficantes locais.”

* * *
[13/11 – 4h26] Cecília Olliveira (@Cecillia): “Ruas de acesso fechadas e entorno da Rocinha deserto. A sensação de medo e insegurança disseminada pela imprensa fez efeito.”

* * *

Defensoria Pública atuará na Rocinha após ocupação

William da Rocinha (@williamrocinha) dá um informe comunitário:

“Fechamos hoje [12/11] junto com à Defensoria Píblica, Dr. Henrique e outros 11 defensores que estarão à disposição das comunidades da Rocinha a partir das 9h da manhã. Teremos 3 pontos de atendimentos na Rocinha: Rua 1, nos apartamentos do PAC no centro da Rocinha e na AMABB.

Teremos participação de todas as instituições e membros do Conselho Estadual de Direitos Humanos. Caso se impossibilite a entrada, esta estrutura estará no pátio da Igreja Universal. Deus abençoe a todos. Meu contato para qualquer informação e reclamação (21) 9509-2253.”

* * *

Nem: ‘O crack destrói as pessoas, as famílias e a comunidade inteira’

No jornal O Dia: “Traficante confirma que dava propina a policiais corruptos.”

Teria dito em entrevista informal a jornalista da revista ÉPOCA: “A UPP é um projeto excelente, mas tem problemas. Imagina os policiais mal remunerados, mesmo os novos, controlando todos os becos de uma favela. Quantos não vão aceitar R$ 100 para ignorar a boca de fumo?” Leia entrevista aqui.

* * *

Turismo nada tradicional

Tatiana Lima (@Tatiana_Lima) relata: “Apesar de todo o clima de terror que envolve a ocupação da Rocinha, uma família (com 5 pessoas) veio conhecer a Barra, Gávea, Ipanema e São Conrado (inclusive a Rocinha).

Na Rocinha, ficaram sabendo da ocupação e decidiram permanecer na via Apia, um dos acessos principais da Rocinha, para acompanhar a operação policial.

* * *

Rocinha já foi ocupada… pela imprensa

Tatiana Lima, por volta das 2h30:

“Até o momento, a Rocinha foi ocupada… pela imprensa. Mas as ruas já estão fechadas. Segundo a CBN, um morador desceu de moto passando mal, mas os policiais não se mexeram, ou seja, não socorreram. Fala da repórter: “Inclusive esse fato chamou a atenção de todos que estavam aqui”. De acordo com ela, o morador foi levado para o hospital montado na quadra da escola de samba Rocinha.

Segundo Robson Melo, o morador que desceu passando mal na verdade era um fugitivo de Bangu 8. Estava com overdose. Foi preso. É o primeiro detido da ocupação da Rocinha. Tatiana informa que ele foi preso anteriormente por assalto a mão armada.

* * *

Qual tratamento a PM dará à população? Um PM respondeu

Tatiana Lima, por volta das 2h30:

“Vim para Rocinha de Van. Uma passageira atendeu o telefone e disse: “(…) então é por isso que estou indo para casa. Não deixar a casa vazia para depois eles entrarem e quebrarem tudo. Tem que ter gente em casa.”

E depois: “Pois é, quando saí de casa mais cedo fui revistada por um policial. Ele me pediu paciência. Disse que o tratamento que eles vão nos dar dependerá de como nós vamos tratar ele. Então, você sentiu né… ele repetiu isso duas vezes. Tudo vai depender de como vamos reagir com eles.”

* * *
William da Rocinha (@williamrocinha): “A imprensa está presente na entrada da via Apia na Rocinha”

Robson Melo (@robsonmelo10), por volta de 1h30: “Alguns meios de comunicação disseram que a Rocinha estava normal a poucas horas da ocupação. Só quem não conhece a Rocinha para dizer isso.”

Mais do Robson: “Os moradores aos poucos desaparecem das ruas, a imprensa aos poucos se multiplica na Rocinha. Antes da polícia, a mídia já tinha ocupado.”

No registro de Robson, fala de uma moradora: “Quanta gente aqui, dá para ver de longe. Quero ver esses jornais voltarem para mostrar que só tem polícia e mais nada.”

* * *
A Ouvidoria da Polícia realizará plantão especial a partir do domingo para receber informações da população em relação à Operação na Rocinha.

O telefone da Ouvidoria – (21) 3399-1199 – terá atendimento em todos os dias da Operação de 9h às 17h; nos demais horários, o cidadão poderá deixar recado na secretária eletrônica.

A Ouvidoria também possui um email para receber as manifestações de cidadãos: ouvidoriadapolicia@proderj.rj.gov.br

* * *
Tatiana Lima (@Tatiana_Lima): Via Apia deserta…Para quem conhece o movimento normal da Rocinha, assusta. Mas normal. E como podem ver há luz normal.

Thiago Firmino (@djthiagofirmino) por volta das 23h de sábado (12): “Olha como tá no meio da Rocinha, ninguém nas ruas. Clima super tenso. Moradores já se isolando dentro de casa.”

William da Rocinha (@williamrocinha): “Rubem César, do Viva Rio, veio nos prestar solidariedade hoje à tarde”.

* * *
Jorge Antônio Barros (@reporterdecrime), sempre preciso, afirma que ocupar Rocinha é entrar no último lugar próximo à classe média, de modo a preparar a cidade para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

http://s.videos.globo.com/p2/player.swf

“Só em 1982 foi inaugurado o primeiro posto de saúde”, diz Jorge, que afirma que o Estado tem que entrar firme com projetos sociais. Ele fala sobre a sua experiência como repórter, com imagens de arquivo:

http://s.videos.globo.com/p2/player.swf

Moradores farão cobertura da ocupação da Rocinha. Imprensa comunitária:

São mais de mil policiais militares para 60 mil metros quadrados e mais de 100 milhões de habitantes.

* * *
Além das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), poderia chegar à Rocinha e a outras favelas do Rio as UPDs, as Unidades de Pacificação Definitiva:

* * *
A Secretaria de Segurança (@SegurancaRJ) informa que foram fechadas neste exato momento (2h30) algumas vias na região da Rocinha. Veja quais são clicando aqui.

Imagens de 2h da manhã:

http://s.videos.globo.com/p2/player.swf

William da Rocinha (@williamrocinha): “Caminho do Boiadeiro, hoje era dia de feira, hoje não aconteceu. Feira que recebe mais de 10 mil pessoas”:

* * *
[13/11 – 02h23] William da Rocinha (@williamrocinha): “Via Apia, Rocinha. Há anos não via ela assim”:

* * *

Violências programadas

[13/11/2011 – 02h01] A guerra da polícia é aplaudida pela mídia, que trata do assunto com ar de espetáculo. Antes, a Globo preparou o clima transmitindo o UFC, a violência programada com verniz de “esporte”. Agora, seguindo a programação, a outra violência programada: vidas em risco real por conta de uma polícia corrupta que prende mal e criminaliza a pobreza.

Aqui, tentaremos dar uma visão alternativa para este problema – o da ausência da cultura de direitos – que merece toda a atenção, de fato, da opinião pública. (Dos editores)

* * *
[13/11/2011 – 02h01] “Vim para a Rocinha de van. Segundo o motorista, a ordem foi parar de circular a partir das 23h.” (@Tatiana_Lima)

Igor Mello, que está na Rocinha com a equipe da TV Tagarela: ‎”A situação está calma, apesar do clima tenso, mas a rotina está totalmente diferente e, para quem conhece a Rocinha, chega a ser assustador esse silêncio.”

* * *
[13/11/2011 – 01h10]
“Acabei de ligar para o número da ouvidoria (3399-1199) da PM que ficará de prontidão para receber denúncias de abusos na Rocinha. Atende caixa postal. Entra uma gravação informando que a ouvidoria da PM funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h. Mas tem a opção de você deixar recado na secretária. Segundo a gravação, a pessoa pode deixar nome e telefone que a ligação será retornada.” (@Tatiana_Lima)

* * *

Rocinha pacificada: os primeiros serviços que surgem são de… telefonia

12/11/2011 – 23h15
Relato de Tatiana Lima (@Tatiana_Lima), direto da Rocinha

Até o momento, 23h15, tudo calmo na Rocinha, mas o clima é tenso. Moradores bebem cerveja na parte baixa da favela, mas as ruas começam a esvaziar. Há poucos policias também, mas até agora vendedores de assinatura da Sky estão na comunidade.

Segundo o vendedor Alexandre Angelo, de 40 anos, morador do Jacaré, só hoje ele vendeu 20 pacotes HD com 4 pontos de assinatura. De acordo com ele, faturou R$3 mil. Alexandre recebe 150 reais por cada pacote HD. O pacote é comercializado com 4 pontos. Um morador fica como assinante, mas os outros três pontos são instalados na casa de vizinhos. Cada um paga R$75. O valor total do pacote é R$300.

Alexandre Angelo ficará a noite toda na comunidade. “Não compensa ir para casa porque moro longe. Então vou ficar aqui e, se der, entro amanhã novamente para vender”. No momento, ele e mais dois vendedores estão no acesso à Rocinha vendendo ainda pacotes e distribuindo folders promocionais.

Chama atenção a ação dos funcionários da Sky. Eles vieram para cá hoje para vender os pacotes. Detalhe: ainda sequer rolou a pacificação. Mas um outro morador disse que OI e Embratel já tinham feito campanhas na Rocinha. E já existia casas com antena da Sky.

* * *

Entidades da sociedade civil pedem respeito aos direitos humanos

12/11/2011 – 18h36

Em nota divulgada hoje (12/11) pela organização não governamental ‘Justiça Global’, diversas entidades estão pedindo às autoridades que farão a ocupação policial da Rocinha neste domingo (13) que respeitem os direitos fundamentais da população local. A nota lembrou as violações recorrentes no caso da ocupação militar e policial dos complexos da Penha e do Alemão. Muitas destas violações foram ignoradas pela imprensa carioca e pelas autoridades da área.

As entidades exigiram que o Estado impeça violações comuns a muitas comunidades em casos similares de ocupação policial, como invasão da casa de moradores sem mandado judicial; abordagem policial truculenta; agressões, espancamentos e execuções sumárias; prisões arbitrárias, feitas sem qualquer prova; extorsão e roubo feita por grupos de policiais criminosos.

A nota lembra ainda que a ocupação deve incluir também direitos como educação, saúde e moradia, entre outros, e não apenas segurança.

Leia a nota na íntegra aqui.

Dados reunidos pelo jornalista Gustavo Barreto (www.consciencia.net)

Anúncios

Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
Esse post foi publicado em comunicação, Favela, Jornalismo, Rio de Janeiro e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Ocupação Policial da Rocinha. Veja a cobertura em novo ângulo

  1. O depoimento anônimo do delegado é muito importante, apesar de não concordar com o fato de que “Essa cadeia de corrupção foi quebrada hoje no Rio de Janeiro, com a repressão ao tráfico de drogas a partir do modelo das UPPs.”
    Pode até ser que uma “certa” cadeia – composta pelos elementos x, y, z… até seja quebrada.
    Mas imediatamente uma outra se instala com novos elementos.
    Moro num bairro, no Rio, cercado de várias comunidades que, até há pouco tempo, eram dominadas pelo CV e pela ADA. Hoje, estão “pacificadas”.
    Mas o tráfico continua, e não foi abalado um milímetro – e quem diz são moradores meus conhecidos, dessas comunidades.
    Portanto, a meu ver, houve apenas uma troca de alguns elementos dessa cadeia de corrupção, e essa troca ocorreu apenas na base.
    Se pensarmos bem, o que houve foi a tomada do negócio das drogas pela polícia, que passa agora a ser a única controladora, daí a sensação de pacificação que deriva da instalação das UPPs, pela eliminação dos “concorrentes” e “sócios” (CV e ADA).
    Aliás, o próprio Beltrame, durante a invasão do Alemão no ano passado, falou, em coletiva à imprensa, que o objetivo das ocupações e instalação das UPPs não era acabar com o tráfico (leia-se, com a corrupção), mas apenas “recuperar o território” para o Estado.
    Parabéns pela cobertura e também pela edição das outras fontes, das quais achei particularmente boa o blog da Cecília, que tem muito material para refletirmos sobre estas questões da segurança pública.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s