Ocupação policial da Rocinha tem início; acompanhe aqui

Estamos acompanhando repórteres da mídia alternativa, com destaque para a jornalista Tatiana Lima (@Tatiana_Lima), Robson Melo (@robsonmelo10), a TV Tagarela (tevê comunitária da Rocinha). Todos baseados na Rocinha.

Acompanhe notícias abaixo em tempo real e também em http://www.consciencia.net/tema/rocinha-rj/

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Nesse momento os soldados do Bope avançam e já estão no caminho do boiadeiro, indo em direção a estrada da Gávea. Os veículos blindados da Marinha estão neste momento entrando na Rocinha pela Estrada da Gávea, seguidos de policiais do Bope e de Policiais Civis. Na Via Apia, um outro grupo de policiais militares também começou uma incursão pela favela. Ainda não há sinais de resistência dos traficantes locais. Policiais já chegaram na localidade conhecida como Cachopa. Na Via Ápia, há militares com cachorros.

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Turismo nada tradicional

Tatiana Lima (@Tatiana_Lima) relata: “Apesar de todo o clima de terror que envolve a ocupação da Rocinha, uma família (com 5 pessoas) veio conhecer a Barra, Gávea, Ipanema e São Conrado (inclusive a Rocinha).

Na Rocinha, ficaram sabendo da ocupação e decidiram permanecer na via Apia, um dos acessos principais da Rocinha, para acompanhar a operação policial.

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Rocinha já foi ocupada… pela imprensa

Tatiana Lima, por volta das 2h30:

“Até o momento, a Rocinha foi ocupada… pela imprensa. Mas as ruas já estão fechadas. Segundo a CBN, um morador desceu de moto passando mal, mas os policiais não se mexeram, ou seja, não socorreram. Fala da repórter: “Inclusive esse fato chamou a atenção de todos que estavam aqui”. De acordo com ela, o morador foi levado para o hospital montado na quadra da escola de samba Rocinha.

Segundo Robson Melo, o morador que desceu passando mal na verdade era um fugitivo de Bangu 8. Estava com overdose. Foi preso. É o primeiro detido da ocupação da Rocinha. Tatiana informa que ele foi preso anteriormente por assalto a mão armada.

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Qual tratamento a PM dará à população? Um PM respondeu

Tatiana Lima, por volta das 2h30:

“Vim para Rocinha de Van. Uma passageira atendeu o telefone e disse: “(…) então é por isso que estou indo para casa. Não deixar a casa vazia para depois eles entrarem e quebrarem tudo. Tem que ter gente em casa.”

E depois: “Pois é, quando saí de casa mais cedo fui revistada por um policial. Ele me pediu paciência. Disse que o tratamento que eles vão nos dar dependerá de como nós vamos tratar ele. Então, você sentiu né… ele repetiu isso duas vezes. Tudo vai depender de como vamos reagir com eles.”

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Robson Melo (@robsonmelo10), por volta de 1h30: “Alguns meios de comunicação disseram que a Rocinha estava normal a poucas horas da ocupação. Só quem não conhece a Rocinha para dizer isso.”

Mais do Robson: “Os moradores aos poucos desaparecem das ruas, a imprensa aos poucos se multiplica na Rocinha. Antes da polícia, a mídia já tinha ocupado.”

No registro de Robson, fala de uma moradora: “Quanta gente aqui, dá para ver de longe. Quero ver esses jornais voltarem para mostrar que só tem polícia e mais nada.”

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A Ouvidoria da Polícia realizará plantão especial a partir do domingo para receber informações da população em relação à Operação na Rocinha.

O telefone da Ouvidoria – (21) 3399-1199 – terá atendimento em todos os dias da Operação de 9h às 17h; nos demais horários, o cidadão poderá deixar recado na secretária eletrônica.

A Ouvidoria também possui um email para receber as manifestações de cidadãos: ouvidoriadapolicia@proderj.rj.gov.br

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Tatiana Lima (@Tatiana_Lima): Via Apia deserta…Para quem conhece o movimento normal da Rocinha, assusta. Mas normal. E como podem ver há luz normal.

Thiago Firmino (@djthiagofirmino) por volta das 23h de sábado (12): “Olha como tá no meio da Rocinha, ninguém nas ruas. Clima super tenso. Moradores já se isolando dentro de casa.”

William da Rocinha (@williamrocinha): “Rubem César, do Viva Rio, veio nos prestar solidariedade hoje à tarde”.

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Jorge Antônio Barros (@reporterdecrime), sempre preciso, afirma que ocupar Rocinha é entrar no último lugar próximo à classe média, de modo a preparar a cidade para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

“Só em 1982 foi inaugurado o primeiro posto de saúde”, diz Jorge, que afirma que o Estado tem que entrar firme com projetos sociais. Ele fala sobre a sua experiência como repórter, com imagens de arquivo:

Moradores farão cobertura da ocupação da Rocinha. Imprensa comunitária:

São mais de mil policiais militares para 60 mil metros quadrados e mais de 100 milhões de habitantes.

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Além das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), poderia chegar à Rocinha e a outras favelas do Rio as UPDs, as Unidades de Pacificação Definitiva:

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A Secretaria de Segurança (@SegurancaRJ) informa que foram fechadas neste exato momento (2h30) algumas vias na região da Rocinha. Veja quais são clicando aqui.

Imagens de 2h da manhã:

William da Rocinha (@williamrocinha): “Caminho do Boiadeiro, hoje era dia de feira, hoje não aconteceu. Feira que recebe mais de 10 mil pessoas”:

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[13/11 – 02h23] William da Rocinha (@williamrocinha): “Via Apia, Rocinha. Há anos não via ela assim”:

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Violências programadas

[13/11/2011 – 02h01] A cobertura de guerra da polícia é aplaudida pela mídia, que trata do assunto com ar de espetáculo. Antes, a Globo preparou o clima transmitindo o UFC, a violência programada com verniz de “esporte”. Agora, seguindo a programação, a outra violência programada: vidas em risco real por conta de uma polícia corrupta que prende mal e criminaliza a pobreza.

Aqui, tentaremos dar uma visão alternativa para este problema – o da ausência da cultura de direitos – que merece toda a atenção, de fato, da opinião pública. (Dos editores)

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[13/11/2011 – 02h01] “Vim para a Rocinha de van. Segundo o motorista, a ordem foi parar de circular a partir das 23h.” (@Tatiana_Lima)

Igor Mello, que está na Rocinha com a equipe da TV Tagarela: ‎”A situação está calma, apesar do clima tenso, mas a rotina está totalmente diferente e, para quem conhece a Rocinha, chega a ser assustador esse silêncio.”

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[13/11/2011 – 01h10]
“Acabei de ligar para o número da ouvidoria (3399-1199) da PM que ficará de prontidão para receber denúncias de abusos na Rocinha. Atende caixa postal. Entra uma gravação informando que a ouvidoria da PM funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h. Mas tem a opção de você deixar recado na secretária. Segundo a gravação, a pessoa pode deixar nome e telefone que a ligação será retornada.” (@Tatiana_Lima)

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Rocinha pacificada: os primeiros serviços que surgem são de… telefonia

12/11/2011 – 23h15
Relato de Tatiana Lima (@Tatiana_Lima), direto da Rocinha

Até o momento, 23h15, tudo calmo na Rocinha, mas o clima é tenso. Moradores bebem cerveja na parte baixa da favela, mas as ruas começam a esvaziar. Há poucos policias também, mas até agora vendedores de assinatura da Sky estão na comunidade.

Segundo o vendedor Alexandre Angelo, de 40 anos, morador do Jacaré, só hoje ele vendeu 20 pacotes HD com 4 pontos de assinatura. De acordo com ele, faturou R$3 mil. Alexandre recebe 150 reais por cada pacote HD. O pacote é comercializado com 4 pontos. Um morador fica como assinante, mas os outros três pontos são instalados na casa de vizinhos. Cada um paga R$75. O valor total do pacote é R$300.

Alexandre Angelo ficará a noite toda na comunidade. “Não compensa ir para casa porque moro longe. Então vou ficar aqui e, se der, entro amanhã novamente para vender”. No momento, ele e mais dois vendedores estão no acesso à Rocinha vendendo ainda pacotes e distribuindo folders promocionais.

Chama atenção a ação dos funcionários da Sky. Eles vieram para cá hoje para vender os pacotes. Detalhe: ainda sequer rolou a pacificação. Mas um outro morador disse que OI e Embratel já tinham feito campanhas na Rocinha. E já existia casas com antena da Sky.

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Entidades da sociedade civil pedem respeito aos direitos humanos

12/11/2011 – 18h36

Em nota divulgada hoje (12/11) pela organização não governamental ‘Justiça Global’, diversas entidades estão pedindo às autoridades que farão a ocupação policial da Rocinha neste domingo (13) que respeitem os direitos fundamentais da população local. A nota lembrou as violações recorrentes no caso da ocupação militar e policial dos complexos da Penha e do Alemão. Muitas destas violações foram ignoradas pela imprensa carioca e pelas autoridades da área.

As entidades exigiram que o Estado impeça violações comuns a muitas comunidades em casos similares de ocupação policial, como invasão da casa de moradores sem mandado judicial; abordagem policial truculenta; agressões, espancamentos e execuções sumárias; prisões arbitrárias, feitas sem qualquer prova; extorsão e roubo feita por grupos de policiais criminosos.

A nota lembra ainda que a ocupação deve incluir também direitos como educação, saúde e moradia, entre outros, e não apenas segurança.

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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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