O beijador e a mulher

De repente o beijo chega. Foi no pescoço. Na curva sinuosa do pescoço ao encontrar os ombros. Foi um beijo suave e forte, sem pudor e Imagemmáscaras, sem culpa e reservas. Ela, a mulher, conhece esse beijo. Há poucos assim. Mas o beijador não sabe. Mentes humanas ainda representam nesse mundo conquistado o espaço de terras a serem desbravados. Assim, o beijador brinca, tenta gozar com a mulher. Diz-lhe: – Quem será que chega assim a beijar-te no cangote?

O homem toma um susto. A mulher revela o segredo. Já sabia que era ele. Mas não revela somente essa informação. Subverte a lógica simples. Diz-lhe: – sei que é você. Só você e outro homem me beijam assim.

O riso toma conta do ar. Ele “brincaliza” a divagação. – Nossa (esticado) que revelação hein? Isso muito é sugestivo.

Agora, são as gargalhadas e um riso de lado da mulher que apropriam-se do espaço. Ela é faceira. Rir na mente e no coração. Por fim, descortina-se:

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– ‘A’ Sabia que era você porque seu beijo e toque são ações de homem que não tem medo de chegar. Não tem receio de pegar. Não tem reservas. Você beija com o corpo e pega e abraça com pele. Você é livre ‘A’.

O homem ruboriza-se. Percebe que a brincadeira descompromissada desvelou mais do que supusesse. A amizade incondicional da mulher faceira. Ela percebe o ar sem graça do homem. Completa, então, o segredo: – mais alguém beija-me assim, meu outro ‘A’.

Ele pergunta o que o os une. Ela aquieta seu coração curioso. Responde: – o amor por mim e vossas orientações sexuais.

A sobrancelha suspende-se. O riso de lado a contamina novamente. Finaliza a subversão: – Somente homens que não tem o rompante de veres uma mulher como um ser sexual são tão livres assim.

Os dois abraçam-se sob a chuva. Riem de si. As almas dos amigos percebem que aconteceu ali uma linda declaração de amor e amizade, no ritmo daqueles cotidianos instantes. O carinho sublima-se. O momento é pleno a entrega.

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Por Tatiana Lima

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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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