Aos amantes de livros, uma boa história

Há duas semanas atrás eu comentava com uma amiga sobre a história desse livro. A minha história com ele, E como já fui assediada para vendê-lo. Hoje, saiu uma reportagem de 4 páginas na revista do Globo justamente falando sobre isso.
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Eu comprei um exemplar do livro em 2007, uma semana após ele ser proibido judicialmente. Consegui um exemplar na Livraria Saraiva da Rua do Ouvidor. Antes havia tentado no Norteshopping, mas tinha acabado. Chorei. A vendedora me pediu calma e ligou para outra loja e consegui saber que restavam ainda 2. Um ficou reservado para mim por 24h. Já em 2008, ao me ver numa cafeteria com o livro, o dono de um sebo pediu licença e começou a falar do interesse dele de comprar o livro. Me ofereceu R$200. Devido a recusa, subiu para R$400. Agradeci, mas disse não, pois o livro tinha uma lado afetivo pra mim.
Sempre fui leitora do Paulo Cesar, que lançou um dos mais importantes livros sobre música brasileira antes do livro do Roberto: o livro chamado “Eu não sou cachorro não! Música Popular Cafona à Ditadura”. Um ano depoisde ler esse livro ele se tornaria meu professor na disciplina eletiva “Pesquisa em MPB” na Unicarioca, onde iniciei meus estudos de jornalismo. Faria outro curso com ele “Do Hip Hop à MPB” (acho que era esse o nome da matéria), mas foi cancelada. Justamente, porque Paulo precisava se dedicar a escrever o livro. a Editora pressionava. Assim, apesar de ser um dos professores com maior nota de avaliação positiva dos alunos, abandonou a cadeira da universidade e eu fique sem minha aula. Não entendo até hoje porque Paulo não voltou a lecionar essas matérias. A que fiz foi fantástica.
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Em 2009, reencontrei Paulo Cesar num debate sobre biografias no CCBB. Pedi para ele autografar o livro pra mim. Ele pegou o exemplar, assinou, fez dedicatória, mas percebi que deslumbrava o livro, observava o volume, olhava a capa, e depois suspirou. Falei algo do tipo: – é…deve ser difícil. Ele respondeu: Você sabia que eu mesmo não tenho um exemplar. Tomei um susto e claro ofereci o meu exemplar na hora. Ele recusou óbvio. (Não sei se ainda não tem. Pelo que li hoje em O Globo, conseguiu comprar para uma tia num sebo em Portugal, o que pode ser evidência de que ele mesmo ainda não tenha um exemplar do livro dele, mas isso é o que supus).
Uma semana depois acho, passei por uma feira de livros na Cinelândia e o exemplar estava na bolsa. Tirei
para pegar a carteira e pagar o livro que estava comprando. O dono do sebo arregalou o olho e me ofereceu R$500. Recusei. Me ofereceu R$700. Depois R$800. Disse que não e expliquei toda a relação que tinha com o livro, que como aluna do Paulo Cesar, acompanhei por uns 6 meses a construção da obra, pois ele sempre comentava como estava a pesquisa e tal. Por fim, abri o livro e mostrei o autógrafo. O dono do sebo ficou eufórico e me ofereceu R$1200. Ri de novo. E disse: – quem vai ser o louco que vai comprar um livro por esse preço? Ele respondeu: – eu eu eu. Me vende. Pedi desculpas e fui embora.
28770_745289052155128_576086657_nSó emprestei esse livro para uma pessoa: a Silvana Amorim. Ex-colega de trabalho que veio a falecer de câncer esse ano. Emprestei a ela porque a Sil tinha um jeito muito responsável. Então, confiei. Só fiz um pedido: para tomar cuidado com deslocamento, porque eu mesma já tinha perdido dois livros assim. Então, se fosse possível para ela ler o livro em casa. Não só pela dificuldade de encontrar outro exemplar, mas porque estava assinado por Paulo, quem acabei perdendo o contato. Mas nunca esqueci das suas aulas. Eram incríveis. É sério. Bom, e assim minha amiga Silvana o fez. Seguiu minha recomendação e em um mês me devolveu o livro lido. Agradeceu muito. Silvana era louca por biografias. Foi ela quem me deu a de Tim Maia num amigo oculto. Também era louca por música.
Bom, então, por todas essas histórias e pela valiosa obra, e me refiro ao conteúdo de pesquisa dessa historiador Paulo Cesar Araújo, já deu para perceber que esse livro nunca será vendido né? Pelo menos, não o meu exemplar especificamente. Que sejam vendidos todos os que estão guardados. Meu sonho é ver esse livro reeditado, contanto esse episódio da vida de Roberto…Bom, não…da vida da obra deste livro. A história do livro proibido que permaneceu circulando e que voltou as prateleira. Como diz o samba-enredo da minha Mocidade “não custa nada sonhar”.
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Sobre Conversa no Banheiro

Uma jornalista fora do perfil. Repórter por essência.
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